Marco é subitamente tomado por suores frios no trabalho. O coração dispara, tem dificuldade em respirar e sente um desconforto no peito. Imediatamente, um pensamento aterrador invade-o: “Estou a ter um ataque cardíaco.” O medo de morrer torna-se incontrolável. No entanto, após uma ida às urgências, o veredicto é claro: o coração está bem. Marco teve uma crise de pânico.
Mas como distinguir uma urgência vital absoluta de uma reação intensa ao stress? Porque é que os sintomas são tão semelhantes?
Olá, aqui fala a Dra. Joy!
Neste artigo, vamos separar o verdadeiro do falso entre o enfarte do miocárdio e a crise de ansiedade. Veremos quais são os sinais de alerta do coração, como se manifesta a crise de pânico e, sobretudo, qual a atitude a adotar se você ou alguém próximo sentir estes sintomas.
O objetivo: dar-lhe as ferramentas para reagir com calma e rapidez.
I – Enfarte do miocárdio: uma urgência vital
O enfarte, ou ataque cardíaco, é causado pela obstrução de uma artéria coronária (vaso que irriga o coração) por um coágulo sanguíneo. O músculo cardíaco, privado de oxigénio, começa a sofrer necrose, ou seja, a morrer. Trata-se de uma urgência vital que exige contacto imediato com o 112, pois quanto mais rápida for a intervenção, maiores são as hipóteses de recuperação.
Os sintomas clássicos incluem:
- Dor opressiva: sensação de aperto ou esmagamento no peito.
- Irradiação da dor: a dor pode espalhar-se para a mandíbula, pescoço, braço esquerdo, ombros ou costas.
- Outros sinais: suores frios, náuseas, vómitos, palidez e ansiedade intensa.
Atenção às mulheres: nelas, os sintomas podem ser diferentes e mais subtis, por vezes limitando-se a falta de ar, náuseas e dores na parte superior do abdómen (zona central do estômago).
II – Crise de ansiedade: assustadora, mas sem perigo físico
A crise de ansiedade (ou ataque de pânico) é uma subida súbita de medo ou angústia intensa, que pode surgir espontaneamente ou após um fator desencadeante (stress, cansaço, fobias). Embora a experiência seja muito angustiante, não é perigosa para a saúde física.
Porque é tão frequente a confusão?
A crise de ansiedade imita os sintomas cardíacos, o que alimenta ainda mais o medo.
Podem surgir:
- Sintomas físicos semelhantes: aceleração do ritmo cardíaco, dor ou desconforto torácico, dificuldade em respirar, suores e náuseas.
- Sinais neurológicos: tremores, tonturas, dormência ou formigueiro.
O que frequentemente distingue a ansiedade é a forte componente psicológica:
- Medo intenso de morrer ou de perder o controlo
- Sensação de irrealidade ou de desligamento de si próprio ou do ambiente
- Impressão de catástrofe iminente
III – Como distinguir e como reagir?
Diferenciar estas duas situações é importante, mas pode ser difícil, pois os sintomas sobrepõem-se.
- O contexto: o enfarte é muitas vezes precedido por sinais de alerta (dores com o esforço) dias ou semanas antes. A crise de ansiedade pode estar ligada a um contexto emocional específico, embora também possa surgir sem causa aparente.
- Em caso de dúvida, trate como urgência: se sentir uma dor opressiva no peito, sobretudo se tiver fatores de risco (tabaco, diabetes, hipertensão, colesterol elevado), não corra riscos. Considere sempre uma emergência.
Só um médico pode estabelecer um diagnóstico fiável.
- Para o coração: exames como o eletrocardiograma (ECG) e análises ao sangue (dosagem da troponina) permitem confirmar ou excluir um enfarte.
- Para a ansiedade: o diagnóstico é frequentemente feito por exclusão, depois de afastadas causas físicas (cardíacas, pulmonares, etc.).
Quer se trate do coração ou da ansiedade, existem soluções eficazes. O enfarte é tratado através da desobstrução da artéria (medicação, colocação de stent) e reabilitação cardíaca. As perturbações de pânico são muito bem geridas com psicoterapia (como a terapia cognitivo-comportamental), técnicas de relaxamento e, por vezes, apoio medicamentoso.
Em todos os casos, nunca hesite em consultar: a sua saúde merece que qualquer dúvida seja esclarecida.
Marque já a sua consulta!Estas informações não substituem o aconselhamento médico.
Deve procurar o conselho do seu médico ou de outro profissional de saúde qualificado para quaisquer questões que possa ter relativamente ao seu estado de saúde.
Fontes:



