Catarina sobe para a balança e solta um suspiro de desânimo. Apesar dos seus esforços alimentares e das sessões de exercício, o ponteiro continua a subir. Sente-se “inchada”, sobretudo na zona do ventre, e o seu rosto parece-lhe mais arredondado do que o habitual. O culpado pode não estar no prato, mas sim no seu ritmo de vida frenético. Catarina poderá estar a sofrer de um excesso de cortisol.
Mas como saber se este aumento de peso está relacionado com o stress ou simplesmente com uma alimentação inadequada? Porque é que o corpo armazena gordura quando estamos sob tensão?
Olá, daqui fala a Dra. Joy!
Neste artigo, vamos explorar a relação complexa entre as suas hormonas e a sua silhueta. Vamos perceber porque é que o cortisol, a famosa “hormona do stress”, pode tornar-se um inimigo da sua linha, quais são os sinais físicos que não enganam e, sobretudo, como restabelecer o equilíbrio de forma natural.
I – O cortisol: amigo ou inimigo?
Antes de o culpar, é importante compreender que o cortisol é vital. Trata-se de uma hormona esteroide produzida pelas glândulas suprarrenais (situadas logo acima dos rins). É ela que nos dá energia para nos levantarmos de manhã, graças a um pico de secreção ao despertar, e que gere a nossa resposta perante o perigo.
Desempenha um papel de “maestro” em várias funções do organismo:
- Regular a glicemia (nível de açúcar no sangue);
- Gerir o metabolismo das gorduras e das proteínas;
- Controlar a inflamação.
O problema surge quando o sistema se desregula. Em situações de stress crónico, falta de sono ou certas doenças, os níveis de cortisol permanecem elevados de forma constante, inundando o organismo.
II – Quando o stress pesa na balança
Então, será o cortisol responsável pelo aumento de peso? Muitas vezes, sim.
Quando o cortisol está demasiado elevado, perturba o metabolismo. Pode estimular a produção de glucose pelo fígado e aumentar a resistência à insulina, o que favorece o risco de diabetes tipo 2 e o armazenamento de gordura.
O mais característico no caso do cortisol é a forma como esse aumento de peso se distribui no corpo: não é uniforme.
Sinais de alerta:
- Aumento de peso localizado principalmente na zona abdominal;
- Rosto mais arredondado (por vezes chamado de “rosto em lua cheia”);
- Acumulação de gordura na parte posterior do pescoço;
- Paradoxalmente, perda de massa muscular (braços e pernas mais finos), porque o corpo utiliza proteínas dos músculos para obter energia.
Outros sintomas acompanham frequentemente estas alterações físicas: fadiga persistente, estrias arroxeadas na pele, irritabilidade e perturbações do sono.
III – Porque é que o meu nível de cortisol aumenta tanto?
Embora existam doenças específicas, como a síndrome de Cushing ou certos tumores, o nosso estilo de vida moderno é frequentemente o principal responsável.
Entre as causas mais comuns de desequilíbrio encontram-se:
- Stress crónico: preocupações profissionais ou pessoais constantes mantêm as glândulas suprarrenais em sobrecarga.
- Falta de sono: um sono irregular ou o trabalho noturno perturba o ritmo natural do cortisol.
- Alimentação: o consumo excessivo de açúcares refinados pode fazer aumentar os níveis de cortisol.
IV – A prescrição da Dra. Joy: como recuperar o equilíbrio?
A boa notícia é que, quando a causa está ligada ao estilo de vida, é possível inverter a tendência e recuperar o bem-estar.
Eis algumas recomendações:
- Aposte num prato “anti-stress”: Evite dietas demasiado restritivas, que aumentam ainda mais o stress do organismo. Reduza os açúcares refinados e privilegie alimentos ricos em ómega-3 (peixes gordos, óleos vegetais virgens), antioxidantes (frutas e legumes) e magnésio (chocolate negro, cereais integrais).
- Mexa-se, mas com moderação: O exercício físico é excelente para regular o cortisol, pois liberta endorfinas. No entanto, cuidado com o excesso de treino, que pode ter o efeito contrário. Prefira atividades como yoga, tai-chi ou natação, que acalmam o sistema nervoso enquanto ajudam a queimar calorias.
- Durma bem!: O sono é o seu melhor aliado. Tente manter horários regulares para ajudar a reajustar o seu ritmo circadiano.
- Pequenas ajudas naturais: Em períodos de maior tensão, alguns suplementos podem ajudar, como a Rhodiola rosea para a adaptação ao stress emocional, ou o magnésio associado à vitamina B6 para promover o relaxamento do sistema nervoso. Atenção: peça sempre aconselhamento a um profissional de saúde antes de iniciar qualquer suplementação.
Se se reconhece nos sintomas de Catarina (aumento de peso abdominal, fadiga intensa, estrias), não enfrente estas dúvidas sozinha. Um doseamento do cortisol (no sangue, saliva ou urina) pode ser prescrito pelo seu médico para verificar se se trata apenas de stress ou de uma patologia que necessite de tratamento médico.
Cuide de si e da sua tranquilidade mental, o seu corpo agradecerá.
Até breve,
Dra. Joy
Estas informações não substituem o aconselhamento médico.
Deve procurar o conselho do seu médico ou de outro profissional de saúde qualificado para quaisquer questões que possa ter relativamente ao seu estado de saúde.



