Chupões: podem realmente provocar um AVC?

A Léa olha-se ao espelho e repara naquela marca arroxeada no pescoço. Um chupão, nada de invulgar. Ri-se ao início, mas depois depara-se com um artigo preocupante: “Um chupão pode provocar um AVC.”

Impossível, pensa ela. E, no entanto, a dúvida instala-se. Como pode um gesto tão banal ter consequências tão graves?

Mito mediático ou realidade médica?

Olá, daqui fala a Dra. Joy!

Neste artigo, vamos analisar este fenómeno frequentemente mal compreendido. O objetivo é simples: perceber o que é realmente um chupão, em que casos muito raros pode causar problemas e, sobretudo, colocar o risco na sua devida perspetiva.

I – O CHUPÃO: UMA LESÃO BENIGNA ANTES DE MAIS

Antes de mais, é importante perceber o que é um chupão.

Um chupão corresponde a uma equimose, ou seja, uma pequena hemorragia sob a pele. Surge quando pequenos vasos sanguíneos se rompem devido à sucção.

Na grande maioria dos casos, trata-se de uma lesão superficial e sem gravidade, semelhante a uma nódoa negra após um pequeno impacto.

O organismo reabsorve naturalmente o sangue em poucos dias, sem deixar sequelas.

Ou seja: num contexto normal, o chupão é totalmente benigno.



II – QUANDO UM GESTO ANODINO PODE, EXCECIONALMENTE, CAUSAR PROBLEMAS

Em situações muito raras, o problema não se limita à pele.

O pescoço é uma zona anatómica particular, pois contém estruturas essenciais, nomeadamente as artérias carótidas, responsáveis por irrigar o cérebro.

Quando a sucção é particularmente intensa, pode, de forma excecional:

  • fragilizar a parede de uma artéria
  • provocar o que se chama uma disseção arterial (uma pequena rutura interna)
  • favorecer a formação de um coágulo sanguíneo

Se esse coágulo migrar para o cérebro, pode então provocar um acidente vascular cerebral (AVC).

Este mecanismo é reconhecido na medicina, embora seja muito raramente observado neste contexto específico.

III – UM RISCO REAL, MAS EXTREMAMENTE RARO

É essencial manter alguma perspetiva.

Os casos reportados existem, mas são:

  • isolados
  • excecionais
  • frequentemente associados a circunstâncias particulares

Na prática, o chupão não é considerado um fator de risco comum para AVC.

A mediatização destes casos pode dar a impressão de um perigo significativo, quando, na realidade, se trata de situações muito raras.

IV – A PRESCRIÇÃO DA DRA. JOY: COMO SER PRUDENTE SEM ENTRAR EM ALARME

O objetivo não é alarmar, mas sim adotar alguns cuidados simples.

EVITE SUCÇÕES DEMASIADO INTENSAS: uma pressão excessiva pode aumentar o risco de lesões mais profundas.
TENHA CUIDADO NA ZONA DO PESCOÇO: é uma área sensível do ponto de vista vascular.
ESTEJA ATENTO A SINAIS INVULGARES: fraqueza num membro, dificuldades na fala ou dormência devem levar a procurar assistência médica urgente.
Na grande maioria dos casos, não são necessárias precauções especiais para além do bom senso.

Se se identifica com a situação da Léa, pode ficar descansado: um chupão é quase sempre apenas uma marca temporária.

Mas esta questão relembra um ponto essencial na medicina:

um risco pode existir sem ser frequente.

Cuide de si,
Até breve,
Dra. Joy 🩺

 

Estas informações não substituem o aconselhamento médico.

Deve procurar o conselho do seu médico ou de outro profissional de saúde qualificado para quaisquer questões que possa ter relativamente ao seu estado de saúde.

 

Fontes :

WebMd

Cardiovascular business

Health and me

Se tiver alguma dúvida, marque uma consulta com os nossos médicos

Nossas novidades