Maria vive em Lisboa. Esta semana abriu o telemóvel e viu as palavras “hantavírus”, “cruzeiro”, “mortes”, “quarentena” a surgirem em todos os meios de comunicação. Pensou nos seus filhos, nos pais, nos vizinhos. E colocou uma pergunta simples: existe algum risco aqui, em Portugal?
Essa é exatamente a pergunta certa a fazer.
Olá, aqui é o Dr. Joy!
Desde o início de maio, o hantavírus tem estado nas manchetes de todo o mundo. O nosso papel não é alarmar. O nosso papel é dar-lhe as ferramentas para compreender o que está realmente a acontecer e o que isso significa, de forma concreta, para si, aqui em Lisboa.
I) O que aconteceu no mundo: o navio MV Hondius
Em abril de 2026, foi identificado um surto de infeção por hantavírus da estirpe Andes a bordo do navio de cruzeiro neerlandês MV Hondius. Em 12 de maio, registavam-se nove casos confirmados e dois casos suspeitos, bem como três mortes.
O navio partiu de Ushuaia, na Argentina, a 1 de abril de 2026, com 147 passageiros e tripulantes de 23 nacionalidades. Os primeiros sintomas observados incluíram febre, sintomas gastrointestinais e uma síndrome cardiopulmonar grave de aparecimento súbito, com vários pacientes a apresentar dificuldade respiratória aguda.
Após aprovação do Ministério da Saúde espanhol, o navio atracou em Tenerife a 10 de maio, permitindo o repatriamento dos passageiros para seis países europeus e para o Canadá.
Uma situação internacional séria, gerida com uma coordenação sanitária global rara.

II) E Portugal, neste contexto?
Entre os passageiros do MV Hondius estavam cidadãos de nove países da União Europeia, incluindo Portugal.
Havia passageiros portugueses a bordo. Após o desembarque, os não cidadãos espanhóis foram encaminhados para os seus respetivos países.
As autoridades portuguesas reagiram rapidamente e com transparência.
A Direção-Geral da Saúde (DGS) publicou orientações para a gestão de eventuais casos suspeitos, indicando que o risco para Portugal “permanece muito baixo”, não sendo necessárias medidas preventivas nacionais para a população em geral.
Estas orientações definem os procedimentos a adotar pelos profissionais de saúde em Portugal, incluindo a ativação do INEM para o transporte seguro de casos suspeitos para hospitais de referência: a Unidade Local de Saúde São José, incluindo o Hospital Curry Cabral para adultos, e o Hospital Dona Estefânia para crianças.
O sistema de saúde português está preparado. E o risco para a população em geral continua a ser muito baixo.
III) Porque é que Portugal está naturalmente menos exposto
O Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge realiza testes regulares a roedores em Portugal, e nunca foi detetado qualquer animal infetado no país, nem em Espanha. Até hoje, não foi registado qualquer caso humano confirmado de hantavírus em Portugal.
A razão é, em grande parte, climática: o hantavírus prospera em climas temperados a frios. Com o seu clima mediterrânico e influências atlânticas, Portugal não oferece as condições ideais para a circulação das estirpes mais perigosas.
Não é coincidência. É geografia e clima.

IV) O que torna a estirpe Andes diferente
O vírus Andes é o único hantavírus conhecido capaz de ser transmitido entre humanos. Essa transmissão ocorre por contacto próximo e prolongado e pode, em alguns casos, ocorrer por via aérea.
Embora rara, esta transmissão entre humanos tem exigido geralmente contacto direto e prolongado num espaço fechado, incluindo exposição à saliva, secreções respiratórias ou outros fluidos corporais de uma pessoa infetada.
Não é um vírus que se transmita como a gripe num supermercado ou no metro. O contexto do navio — espaço confinado, contacto prolongado, possível exposição a roedores na América do Sul — era particularmente favorável à sua propagação.
V) Devemos preocupar-nos com uma epidemia global?
O Diretor-Geral da OMS afirmou que não existem sinais que indiquem o início de uma epidemia mais alargada, embora não exclua o aparecimento de novos casos isolados.
Segundo especialistas, o vírus não se transmite facilmente na população em geral, não sofre mutações rápidas que alterem o seu comportamento e requer uma exposição muito específica para causar infeção.
Não é o próximo Covid. Os especialistas dizem-no de forma clara.
VI) Os bons hábitos, aqui e agora
Se não viajou a bordo do MV Hondius, o seu risco é extremamente baixo.
No entanto, as medidas de prevenção contra os hantavírus em geral — incluindo a estirpe europeia presente em algumas regiões — continuam válidas ao longo do ano:
- arejar bem espaços fechados (caves, arrecadações, arrumos) antes de os utilizar
- usar luvas e máscara ao limpar áreas onde possam ter passado roedores
- evitar varrer a seco zonas potencialmente contaminadas
- limitar o acesso de roedores à sua casa e espaços de armazenamento
Se, nas semanas após um contacto potencial com roedores ou as suas fezes, sentir febre, dores musculares ou fadiga intensa, consulte o seu médico e mencione esse contexto.
VII) Na Alegria, a informação correta também faz parte do cuidado
Perante uma atualidade sanitária global que pode gerar preocupação, o nosso papel não é minimizar nem amplificar. É dar-lhe referências claras.
Portugal está vigilante, preparado, e o risco para os seus residentes é atualmente muito baixo. Continue a viver normalmente, com lucidez, não com medo.
Na Alegria, estamos aqui para responder às suas questões, em consulta ou no dia a dia.
Até breve na Alegria,
Dr. Joy
Fontes:
European Centre for Disease Prevention and Control
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📩 info@alegriamed.com




